
Eu conseguia sentir o gosto de seu beijo em minha boca como uma lembrança daqueles dias em que estivemos juntos. Eu vivia inventando motivos pra te ver, reinventando assuntos que nunca morriam, imaginando coisas, tentando prever o destino de nós dois. Eu via seu rosto refletido em meus olhos quando estava de frente ao espelho, me arrumando pra te encontrar (ou pra tentar chamar sua atenção).
Seus olhos nunca encontraram os meus, eles apenas se cruzaram de uma forma rápida demais, porém, de uma forma que foi tão mágica pra que ficasse aqui, em meu coração, guardado como um tesouro, como uma partícula de ouro.
Eu descobri o teu cheiro em mim, após aquele abraço carinhoso. Eu descobri que eu memorizava todos os detalhes de nós dois, todos os nossos encontros e bons momentos, que eu recordava cada segundo que passamos, cada momento que se tornou tão inesquecível. Eu imaginei tantas coisas boas, tantos planos eu fiz, tantas lágrimas eu chorei ao descobrir que não deu certo, e sei lá, mas acho que não foi por falta de tentativas. Talvez sejamos iguais demais ou diferentes demais, ainda não sei. Um dia eu saberei a resposta e te direi. Acho que bastaria um beijo pra eu saber o que realmente sinto, se essa falta é mesmo saudade ou se é medo de perder (por não gostar de perder). Vai saber!
Por dias eu guardei teu gosto em mim, teu cheiro e essa tua lembrança que ficará aqui pra sempre. Isso me dói e me conforta, ao mesmo tempo. Será que um dia terá fim?
Não tenho coragem pra nada, já que o medo tomou conta de mim desde os últimos acontecimentos. Será que sinto algo tão valioso e vivo guardando isso, ao invés de espalhar aos quatro ventos?
Não posso olhar dentro de teus olhos e não me ver refletida. Não posso abrir meu coração pra te deixar sair pela porta, sem vê-lo voltar. Evito saber que já não faço mais parte de ti, que não somos mais ‘um só’, que não somos mais um do outro. É. Também não peço que volte, não daríamos certo, não é? Talvez o seu ‘novo alguém’ seja mesmo o melhor pra você.
- E nunca direi que escrevo sobre você, por que não é: na verdade, é sobre mimenquanto penso em você.
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